quinta-feira, fevereiro 17, 2005



da bahia: o cheiro, o cheiro colado à humidade da pele, os corpos quase nus brilhando de humidades. os corpos-oferecidos: ao sol, à água, aos corpos. da bahia, as tempestades, o ar carregado, pesado, pesando nos ombros e na cabeça. a natureza eufórica na bahia, o mar quente; a alegria eufórica do carnaval de um mar de gente. da bahia: a pimenta, o acarajé, o feijão, o camarão seco, a carne seca de sol, as polpas sumarentas dos frutos, a bênção hídrica de uma água de côco verde. da bahia: o gerúndio, verbo tomando conta do sujeito. a mistura fina e a mistura grossa da bahia, todos brancos todos pretos, todos pretos todos brancos, todos mães e tios e pais e primos e irmãos de todos. a pobreza e o luxo da bahia comendo à mesma mesa. na bahia, das varandas dos prédios de luxo pode ver-se uma escadaria que sobe e outra que desce o morro da pobreza. e, na bahia: o deus-natureza; o deus-homem; o deus-todo. da bahia, o sorriso, o abraço, a música, a dança primordial ao som dos tambores que marcam o compasso ao ritmo da batida dos corações da bahia,