segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Mar Absoluto

"Foi desde sempre o mar,
E multidões passadas me empurravam
como o barco esquecido.

Agora recordo que falavam
da revolta dos ventos,
de linhos, de cordas, de ferros,
de sereias dadas à costa.

E o rosto de meus avós estava caído
pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,
e pelos mares do Norte, duros de gelo.

Então, é comigo que falam,
sou eu que devo ir.
Porque não há ninguém,
tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos."
(...)

Cecília Meireles

(Podem acusar-nos de sermos periféricos, atrasados, comodistas, esbanjadores, demasiado burocratas, terceiro-mundistas, província da Espanha, cauda da Europa, nostálgicos e saudosistas, e etc., e etc., porque, por um quadriénio, temos o primeiro-ministro mais bonito do mundo.)

sábado, fevereiro 19, 2005

"Se você quiser amar Se você quiser amor
Vem comigo a Salvador Para ouvir Iemanjá
A cantar, na maré que vai E na maré que vem
Do fim, mais do fim, do mar
Bem mais além
Bem mais além do que o fim do mar
Bem mais além"

a ouvir "Canto de Iemanjá"
Baden Powell e Vinícius de Moraes



O que vale um abraço? e uma palavra, quanto é? Pode-se ficar a dever uma dança? Qual o preço do carinho? e o amor, (quanto custa) o amor?.



quinta-feira, fevereiro 17, 2005



da bahia: o cheiro, o cheiro colado à humidade da pele, os corpos quase nus brilhando de humidades. os corpos-oferecidos: ao sol, à água, aos corpos. da bahia, as tempestades, o ar carregado, pesado, pesando nos ombros e na cabeça. a natureza eufórica na bahia, o mar quente; a alegria eufórica do carnaval de um mar de gente. da bahia: a pimenta, o acarajé, o feijão, o camarão seco, a carne seca de sol, as polpas sumarentas dos frutos, a bênção hídrica de uma água de côco verde. da bahia: o gerúndio, verbo tomando conta do sujeito. a mistura fina e a mistura grossa da bahia, todos brancos todos pretos, todos pretos todos brancos, todos mães e tios e pais e primos e irmãos de todos. a pobreza e o luxo da bahia comendo à mesma mesa. na bahia, das varandas dos prédios de luxo pode ver-se uma escadaria que sobe e outra que desce o morro da pobreza. e, na bahia: o deus-natureza; o deus-homem; o deus-todo. da bahia, o sorriso, o abraço, a música, a dança primordial ao som dos tambores que marcam o compasso ao ritmo da batida dos corações da bahia,