segunda-feira, maio 16, 2005

o sangue concentrou-se
no lugar
da fabricação das almas
agora já não depende de mim
a autorização para o parto
escrevíamos os nomes a tinta
transparente, e era mais simples
era mais simples nem sequer pensar
nos nossos nomes.
o sangue concentrou-se
no lugar
da fabricação das almas.

neste dia recordo o momento
quando e
todos os movimentos
e já não o faremos de modo diferente
de quando te disse:
soubemos tão bem dizer palavras
doces, provaremos o mel?
provaremos o verbo que criámos
com a doçura toda do dia.
neste dia recordo o momento
quando e
todos os movimentos.



3 Comments:

At 10:38 p.m., Blogger nocturnidade said...

Inesca,
só posso dizer que me surpreendeu tão belo poema.
e fico assim... a senti-lo em vez de dizê-lo.

obrigada por escreveres assim

 
At 7:53 p.m., Blogger nobody said...

Belíssimo!

 
At 9:05 p.m., Anonymous Anónimo said...

http://ofraternocontorno.blogspot.com

o homem sem personalidade criou outra
enquanto o gato legivel dorme. vida dura.

 

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