domingo, outubro 30, 2005

"i remember
oh, oh, oh, oh"

(guess who...)



quarta-feira, outubro 19, 2005




"Pinta os lábios para escrever a tua boca em mim...
Que a nossa música eu fiz agora"

domingo, outubro 02, 2005














sábado, setembro 24, 2005

(diálogos imaginados entre um e outro)

- Defende-me dos imprevistos.
- E de mim.
- Defende-me dos imprevistos, de ti, e de mim própria.
- É tarefa demasiada.

...

sábado, agosto 27, 2005

Olá, digo eu, Sabes porque está tanto calor?
Olá, respondes tu, Deixaram-nos um presente, aqui neste canto.
Depois, começámos a andar lado a lado. E o tempo esqueceu-se de nós.



segunda-feira, agosto 01, 2005

tenho vivido tantas vidas que me parece que posso escrever um livro, ou dois.

segunda-feira, maio 16, 2005

o sangue concentrou-se
no lugar
da fabricação das almas
agora já não depende de mim
a autorização para o parto
escrevíamos os nomes a tinta
transparente, e era mais simples
era mais simples nem sequer pensar
nos nossos nomes.
o sangue concentrou-se
no lugar
da fabricação das almas.

neste dia recordo o momento
quando e
todos os movimentos
e já não o faremos de modo diferente
de quando te disse:
soubemos tão bem dizer palavras
doces, provaremos o mel?
provaremos o verbo que criámos
com a doçura toda do dia.
neste dia recordo o momento
quando e
todos os movimentos.



quarta-feira, abril 20, 2005

Pequenas e acessíveis provas de intimidade III

- Vem cá. Faço-te uma massagem aos pés.



Pequenas e acessíveis provas de intimidade II

- Trazes-me a escova de dentes aqui à banheira?



Pequenas e acessíveis provas de intimidade I

- Querido, coça-me as costas.



quarta-feira, abril 06, 2005

"(27)

O amor veio e está em mim como o sangue nas minhas veias
Esvaziou-me e logo me encheu com o Amigo.
Todas as partes do meu corpo estão sob o império do Amigo.
De mim fica o nome... o resto é o Amigo.

(30)

Ó tu, por quem florescem os jasmins no meu coração
Tens outro amante mais ardente do que eu?
Abandonar a alma e o mundo não é difícil
Difícil é afastar-me da tua morada.

(34)

A união... eis aí os jardins do Paraíso
A separação... aí estão os tormentos do inferno.
O amor é eterno, o universo é as suas vestes
Despe o que tens vestido - essa é a chave do enigma."

in "Rubayat", Djalal al-Din Rumi



quarta-feira, março 30, 2005




Ce n'est pas le vent sur nos cheveux.



terça-feira, março 29, 2005

Como plano de amor, chegaste em forma de proposição. Umas vezes de forma simples, outras vezes mais complexa, garantiste que o que nos significava estava implícito no facto de eu existir, e de tu existires, e que as diferenças justificavam o sentido final. Era o tal plano de amor que dava sentido à vida (e que me poderia interessar existir isoladamente, não fazendo parte de uma proposição?) Sem querer ser fatalista, concluí que, se um de nós faltasse e a proposição deixasse de existir, o mundo perderia um plano de amor. Tão-só um plano de amor.*

*[Se um nós faltasse, o mundo perderia o melhor que tem. Ou perderíamos nós o melhor do mundo.]

quinta-feira, março 24, 2005

"Lastimo os que atribuem grande importância ao tema do transitório das coisas e que se perdem em minudências terrenas sem valor. Porque nós existimos precisamente para transformar o transitório em duradouro, e tal só acontece quando somos capazes de apreciar ambas as coisas."

Goethe

quarta-feira, março 16, 2005



"Joyeuseté (Arearea)", 1892
Paul Gauguin



O balanço entre os meus sonhos e as tuas realidades faz-se (autonomamente) no silêncio da noite inteira, quando não me deixas dormir longe do teu abraço.



sexta-feira, março 04, 2005

Descrição da Guerra em Guernica

"X

O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar;
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura;
as paredes áridas desabam:
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher, a última; com os braços
erguidos; com o suor da estrela
tatuada na testa."

Carlos de Oliveira



"One day I'll grow up,
I'll be a beautifull woman.
One day I'll grow up -
I'll be a beautifull girl.

But for today, I am a child.
For today I am a boy."

a ouvir Antony and the Johnsons
(em modo ininterrupto. coisa de miúdas.)



terça-feira, março 01, 2005



Eu sou dos Pés Nus da Praia, sou dos Olhos Claros.
Cheguei de Quase Invisível de Transparente, passei por Terras Desertas - para lá de Lume Brando, parecido a Marte quando ainda tinha água - e estabeleci-me no centro de Tempestades. Foi por não ter resultado que me mudei.
E é mesmo aqui, no Tempo Quente dos Teus Braços, que me sinto em casa.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Mar Absoluto

"Foi desde sempre o mar,
E multidões passadas me empurravam
como o barco esquecido.

Agora recordo que falavam
da revolta dos ventos,
de linhos, de cordas, de ferros,
de sereias dadas à costa.

E o rosto de meus avós estava caído
pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,
e pelos mares do Norte, duros de gelo.

Então, é comigo que falam,
sou eu que devo ir.
Porque não há ninguém,
tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos."
(...)

Cecília Meireles

(Podem acusar-nos de sermos periféricos, atrasados, comodistas, esbanjadores, demasiado burocratas, terceiro-mundistas, província da Espanha, cauda da Europa, nostálgicos e saudosistas, e etc., e etc., porque, por um quadriénio, temos o primeiro-ministro mais bonito do mundo.)

sábado, fevereiro 19, 2005

"Se você quiser amar Se você quiser amor
Vem comigo a Salvador Para ouvir Iemanjá
A cantar, na maré que vai E na maré que vem
Do fim, mais do fim, do mar
Bem mais além
Bem mais além do que o fim do mar
Bem mais além"

a ouvir "Canto de Iemanjá"
Baden Powell e Vinícius de Moraes



O que vale um abraço? e uma palavra, quanto é? Pode-se ficar a dever uma dança? Qual o preço do carinho? e o amor, (quanto custa) o amor?.



quinta-feira, fevereiro 17, 2005



da bahia: o cheiro, o cheiro colado à humidade da pele, os corpos quase nus brilhando de humidades. os corpos-oferecidos: ao sol, à água, aos corpos. da bahia, as tempestades, o ar carregado, pesado, pesando nos ombros e na cabeça. a natureza eufórica na bahia, o mar quente; a alegria eufórica do carnaval de um mar de gente. da bahia: a pimenta, o acarajé, o feijão, o camarão seco, a carne seca de sol, as polpas sumarentas dos frutos, a bênção hídrica de uma água de côco verde. da bahia: o gerúndio, verbo tomando conta do sujeito. a mistura fina e a mistura grossa da bahia, todos brancos todos pretos, todos pretos todos brancos, todos mães e tios e pais e primos e irmãos de todos. a pobreza e o luxo da bahia comendo à mesma mesa. na bahia, das varandas dos prédios de luxo pode ver-se uma escadaria que sobe e outra que desce o morro da pobreza. e, na bahia: o deus-natureza; o deus-homem; o deus-todo. da bahia, o sorriso, o abraço, a música, a dança primordial ao som dos tambores que marcam o compasso ao ritmo da batida dos corações da bahia,



terça-feira, janeiro 18, 2005




Vou ali e já volto.


domingo, janeiro 16, 2005


"...
Y cuando todo se acabe
por siempre en el universo,
será un silencio de amor
el silencio."

Andrés E. Blanco


quinta-feira, janeiro 13, 2005

A propósito de um Diálogo horizontal sobre a duração do amor:

Usamos o amor como um foco de luz particular, uma luz que, sendo nossa, ilumina aquela pessoa que escolhemos. Qualquer outra que possamos ter iluminado anteriormente, ficou, agora, na penumbra do nosso amor.


quinta-feira, janeiro 06, 2005

Há qualquer coisa
a querer soltar-se,
a querer.

Pode ser dos braços,
pode ser do peito.

Qualquer coisa. Sei
porque me secou
a boca.

Secou-me a boca
qualquer coisa a querer.



[Falta-me uma parte como se jorro de água (ou) criança por nascer.]


terça-feira, janeiro 04, 2005





aprecio o sol do meio-dia
estrelas, lua, o fogo-de-artifício
que nos ilumina.



segunda-feira, dezembro 20, 2004




"O Menino Jesus Salvador do Mundo", Josefa de Óbidos